segunda-feira, fevereiro 10, 2003



Demais enjôa

Espero que este meu questionamento não levante dúvidas a respeito da minha masculinidade, mas vocês também não acham que a Daniella Cicarelli está assim, só um tiquinho, superexposta?



De como a profundidade pode estar no observador...


Está certo que o tal ditado "há males que vem para o bem" não passa de uma condolente pílula anti-depressiva, um atenuante retórico para as vítimas das inevitáveis peças do destino.

Às vezes, porém, o dito faz mais sentido do que parece e passo a acreditar que, mesmo das coisas mais execráveis, dá para se colher bons frutos.

Tudo isso apenas para citar o belo texto que o Paulo Polzonoff escreveu sobre a insossa Elane, a professorinha do Big Brother. Ou, para continuar nos chavões, só que por um outro ângulo: quem sabe, sabe, e tira leite até de pedra...



Toda rosa é rosa porque assim ela é chamada
Toda bossa é nova e você não liga se é usada


Hermanos los son...

sexta-feira, fevereiro 07, 2003


Censura, Tio Bush e pirataria...

Reconheço que esta semana aqui no Cartas foi extremamente minguada. Produção original às raias da nulidade. Só links, citações, dicas. Na falta de idéias, o hipertexto é fundamental...

Pra não sair do tom, encerro a semana citando mais algumas coisas que me chamaram atenção. Bom sinal é que, pelo menos, todos esses assuntos deixaram aquele gostinho de "queria dizer algo a respeito". Na falta de tempo agora, fica a promessa de posts futuros.

Ah, os links né? Ei-los:

- O blog Carta Aberta faz um alerta: censura à vista. A revista Você S/A foi impedida judicialmente de publicar matéria sobre a Indústria de Recolocação Profissional. Uma deformidade genética do mercado de trabalho que, com certeza, merece post.

- Hélio Schwartzmann, com o equilíbrio de sempre, faz um apanhado sobre a Doutrina Bush. Também ainda não falei sobre o Buchão por aqui, fica pra semana...

- A gravadora Abril Music fechou as portas e colocou a culpa na pirataria. Pirataria? Hmm, também merece meu pitaco..

Me cobrem...


quarta-feira, fevereiro 05, 2003



Pechincha

Eu sei que após os Napster, Audiogalaxy, Kaazas e CD-burners da vida, comprar CD é coisa pra se fazer só depois de ter pensado uma, duas, três vezes no assunto. Mas essa não dá pra perder...

Aqui você encontra o novíssimo CD do Foo Fighters, pela bagatela de R$ 16,90. E só nesta 1a edição, você ainda leva um DVD-bônus de lambuja. Semana passada o pacote estava por R$ 34,00. Tá pensando ainda?

E olha que ainda nem sou patrocinado pelo Submarino...





terça-feira, fevereiro 04, 2003



Déficit criminoso

Pudera que as contas públicas do Brasil nunca saiam do vermelho. E que o FMI seja sempre chamado para dar uma "forcinha". Isto é revoltante. Se o Palocci quer aumentar o tal superávit primário, talvez deva começar por ali.

E parabéns à Istoé pela coragem da reportagem.

segunda-feira, fevereiro 03, 2003



Admirável mundo novo

Um dia destes fiquei surpreso com uma notícia no jornal: tricotar é a nova moda e símbolo da contracultura. Já tinha lido algo parecido numa dessas colunas modernetes da internet, mas inocentemente não levei à sério. Agora ver aquilo dito assim, impresso no Estadão e vindo de uma matéria original do The Guardian, me deixou assustado.

A pulga ficou atrás da minha orelha. Minha mente não conseguia digerir muito bem a informação e, sem entendê-la, não podia classificá-la e arquivá-la na gavetinha adequada. Estaria eu velho demais para entender esses novos costumes? Sem se resignar, agindo como numa busca aleatória do google, meu cerébro relacionava aquela bizarra notícia a algumas outras lembranças, trazendo flashes rápidos à minha consciência: eu ouvindo com prazer o acústico do Roberto Carlos, a tchurminha dançando Balão Mágico num bar-hotel decadente, o visual retrô 80s, a cultura trash...

De alguma forma tudo aquilo se encaixava, mas eu não sabia como. Aquilo já estava me deixando maluco. Felizmente, com o texto do Daniel Galera publicado na Fraude finalmente fêz-se a luz e tudo ficou claro para mim. Saiba tudo sobre o consumo irônico e sua vida nunca mais será a mesma.



Tell me why you don´t like mondays?

O que não faz um dia de sol com o humor de uma pessoa, não? Faz até cantar, em plenos pulmões e no meio do trânsito, coisas como "Ive Brussel" do Jorge Benjor, ou "Everlasting Love", do Elvis.

Muita felicidade para uma manhã de segunda-feira... E isso é bom, muito bom...

sexta-feira, janeiro 31, 2003



Momento Isso É Música Para Meus Ouvidos

Rock Energético

Há muitos anos, em uma galáxia distante, houve um tempo em que músicos de rock usavam longas cabeleiras e vestiam jaquetas de couro. Guitarristas virtuoses transpiravam solos acelerados, enquanto os vocalistas eram dominados por uma energia frenética, resultado de um estado artificialmente alterado.

Não, não estou falando dos anos 80, das bandas de heavy-metal ou do hard-rock farofa. Tudo isso já era de certa forma uma expressão decadente. Quero ir mais para trás, para quando o peso, a sujeira e a velocidade eram a novidade, mas ainda continham muito da rebeldia adolescente e da tensão sexual do bom e velho rock´n´roll.

Misturar energia, peso e velocidade, mas manter o pé-na-cozinha, ser fiel às raízes bluesadas do rock. Receita básica que atravessou décadas, desde a insanidade do The Who e Stooges, passando pelas explosões do Led Zeppelin, Deep Purple e Lynyrd Skynyrd, resgatada pelo punk dos Ramones, mantida viva por coisas tão diferentes como AC/DC ou Steve Ray Vaughan.

Hoje porém vivemos tempos diferentes. Numa época em que o legal é ser cool, esse tipo de energia e vibração pode ser visto como afetação, pieguice ou exibicionismo. Por esse motivo, parecia mesmo improvável que, no meio das dezenas de bandas "salvadoras do rock" que apareceram nos últimos dois anos, despontasse algo como os Hellacopters. Ainda por cima, vindos da gelada Suécia.

Hellacopters é tudo que você tinha saudade no rock mas tinha vergonha de pedir. Um tipo de som que parece até estranho no formato CD, faz você se lembrar das velhas bolachonas de vinil onde se lia a mensagem: "ouça alto". Bastante saudosista sim, mas cheio de energia e vitalidade. Uma verdadeira chacoalhada para aqueles que já se cansaram de vocalistas depressivos, do som das guitarras do britpop, das misturas esquisitas de influências. Correndo por fora, fazem as manifestações roqueiras de New York e Detroit (Strokes e White Stripes, respectivamente) parecerem pose de crianças.

Apesar de estarem na estrada desde 1994, esses suecos malucos conseguiram projeção internacional somente nos três últimos discos, justamente aqueles lançados no Brasil (na verdade, o último ainda tem o lançamento por aqui prometido para o início deste ano). High Visibility, de 2000, é a porta de entrada ideal. Está tudo ali, finamente reunido, sem sobras ou excessos. Cream of the Crap!, de 2001, é o primeiro volume de uma coletânea de antigos EPs e singles. Traz muito do início da banda: a mesma energia, mas em um som mais cru, capaz de agredir ouvidos desavisados. O disco mais recente é By The Grace of God, recém lançado no segundo semestre de 2002. Diz-se que o disco é o mais comercial dos suecos. Certamente as melodias são um pouco menos inocentes e o som está mais maturado - o que nem sempre pode ser um bom sinal para uma banda como eles, mas o resultado continua sendo primoroso.

Os entendidos têm classificado a música dos suecos como "stoner-rock" (algo como "rock-chapado"). Colocam o mesmo rótulo no Queens of The Stone Age, por exemplo. Para mim, os dois são bem diferentes. Além de ser "rock-energético", os Hellacopters conseguem resgatar o espírito descompromissado, alegre e despreocupado dos velhos tempos de Chuck Berry, com suas letrinhas falsamente pueris unidas ao ritmo alucinante.

Eu sei que é só rock´n´roll. Mas eu gosto...




terça-feira, janeiro 28, 2003

Internéticas

Duas novas novidades fresquinhas do mundo bloguístico.

A primeira parece conto do vigário: o Professor Blog está procurando desocupados para "blogar" profissionalmente. Utopia? Realidade? Na dúvida, meu nome está lá.

A segunda é uma iniciativa muito bacana: o concurso Reporter X abriu um blog para você postar uma foto e um texto de sua autoria, retratando um "furo de reportagem". A equipe do concurso vai escolher os melhores "pacotes" publicados.

Contrariando a lógica da competição, faço dois pedidos: inscrevam-se. E espalhem a notícia...



Subjetividades

Falei em "subtexto" no post anterior, não foi? O trecho abaixo, descaradamente copiado do blog do Mojo, dá uma pincelada interessante sobre essa palavrinha difícil...

Não consigo decidir o que me parece pior: confundir arte com entretenimento ou achar que toda obra de arte deve trazer embutida a possibilidade de redenção ou, pior ainda, algum sentido edificante intrínseco. Criadores em geral são, por princípio, moralistas, mas faz parte da natureza paradoxal de sua atividade evitar ao máximo a armadilha de ser moralizante. É por isso que o subtexto é tão importante, principalmente nas artes narrativas (literatura, cinema etc.), que por sua própria natureza exigem a presença de uma certa ambigüidade para que possam funcionar. Subtexto não é uma moral da história, e muito menos uma mensagem. Subtexto é aquilo que o autor diz, mas não mostra. Aquilo que o autor mostra, mas não descreve. Aquilo que o autor descreve, mas não explica. O subtexto é o vácuo que cria a tensão necessária para a narrativa operar seus truques (ou sua mágica, se quisermos ser românticos). Mas certo, deixa isso pra lá.

Provavelmente essa não foi a intenção do Mojo, mas li esse texto como uma reflexão adicional ao embate MV Bill x Cidade de Deus. Afinal, qualé o papel e até onde raios vai a responsabilidade (?) de uma manifestação artística? Mas, como diria o Inagaki, tergiverso...



Assistir, eu? Imagina, estava só zapeando...

Quando o tal Dilsinho começou a pegar no pé da princesa, reinvindicando seus direitos de sapo-beijado, eu logo pensei com meus botões: bem-feito, Dona Miss, quem mandou dar mole para aborígene (relembrando o célebre termo das garotas do 02 neurônio). Agora vai ter que aguentar o grude durante três meses, tal qual Dona Manoela.

E não é que a princesa logo chutou o rapaz para escanteio, desdenhou do beijo do moço em cadeia nacional e quebrou o coração molenga escondido por detrás daquela jaqueta heavy-metal?? Pobre sapão, quem mandou se meter com essas misses insensíveis...

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Alguém pode me explicar o que é aquele "MTV Casa da Praia"? Há por acaso algum sentido em ver Mr. Edgar tocando violão enquanto duas beldades da anorexia moderna saltitam para a câmera? Careço de explicações...

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Em compensação, Cazé está mandando muito bem na sua caracterização de estórias clássicas do rock. É nonsense, constrangedor às vezes, mas sempre muito engraçado.

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Após chegar do trabalho, deitar-se na cama e colocar a cabeça no travesseiro, será que João Kléber consegue dormir em paz? Ou o mundo ainda vai fazer mal a esta minha alma inocente?

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Triste mesmo é ver o estado da dramaturgia na TV. É impressionante o nível de didatismo a que chegam as tramas e os diálogos nas atuais novelas e mini-séries. Não há mais espaço para meias-palavras, sentimentos reprimidos, silêncios constrangedores. Não é mais permitido que se interprete o subtexto e se abstraia o significado de uma cena. Não é mais necessário fazer tamanha ginástica mental. Tudo é objetivamente explicado, nos mínimos detalhes.

Essa "Casa das Sete Mulheres", por exemplo. Trama histórica, superprodução, possibilidades promissoras. Mas qual o quê... Até me solidarizo com os atores - está certo, Mariana Ximenes é mesmo adoravelmente canastrã, mas nem Fernanda Montenegro daria jeito em um texto tão capenga. Chega a ser infantil de tão auto-explicativo. Após um embate dramático com seu amado, a atriz se tranca no quarto, deita-se em sua cama e, põe-se a chorar?, não, corre a explicar suas aflições ao atento espectador. Meu Deus, como fala-se sozinho nas novelas brasileiras! Em "O Clone" o recurso já era diferente: os pensamentos eram declamados ao fundo, tentando definir pelo texto o que na verdade gostaria de transmitir a indevassável expressão do Murilo Benício.

Tudo isso é sintomático da incapacidade e preguiça do público? Talvez, mas é certamente gerado pela incapacidade e preguiça dos próprios realizadores das produções.

***

Pra eu largar de ser chato e ir ler um livro? Parar de exigir qualidade da TV? Ora, então deixem-me aqui com saudades da Maria de Fátima da Vale Tudo, relembrando Tarcísio como Capitão Rodrigo ou Euclides da Cunha, recordando o João da Ega nos Maias.

sexta-feira, janeiro 24, 2003



Serviço de utilidade pública

A Paula do Epinion já deu a dica, mas eu sinto um dever quase cívico de espalhar isso adiante. O corrosivo Cocadaboa, recém-libertado das garras da censura, oferece uma coletânea de trotes enviados ao SAC de diversas empresas. Coisas desse tipo:


Empresa: Colgate/Creme dental Tandy
Autor: Lucas (leitor)

Oi,
Eu me chamo Lucas, tenho 8 anos e sempre escovo meus dentes com Tandy. minha mãe falou que doces dão cárie, e isso me deixou com medo, porque na aula de ingles a professora me disse que chiclete em ingles é "buble gun", o sabor que eu mais gosto de tandy, e eu nao quero ter caries. eu tentei mudar pro sabor morango, mas ele tem gosto de bala, e nao adiantou muita coisa. eu estou com medo a toa? vocês nao poderiam fazer uma tandy sabor churrasco ou coxinha de galinha, para nao estragar meus dentes?
Obrigado,
Lucas Marcos Netto


Alguém duvida que o pequeno Lucas obteve resposta da empresa? E tem muito mais aqui. Por favor, leiam tudo. É cientificamente comprovado que gargalhar pela manhã faz bem à saúde e contribui para a paz mundial.

quinta-feira, janeiro 23, 2003



Trabalho sujo

Conheço umas pessoinhas por aí de quem eu gosto bastante que estão passando por algumas dúvidas profissionais. Eu não, lógico, sou muito bem resolvido e já sei o que quero fazer quando crescer: ser pesquisador de blogs.

Mas o fato é que vamos mergulhando nessas dúvidas profissionais e elas acabam se tornando monstros enormes. Comprometem a auto-estima, acabam com o entusiasmo, deixam o dia-a-dia cinza. É fácil, muito fácil mesmo, se esquecer que o mundo é muito maior que as quatro paredes do escritório (ou do consultório, loja, laboratório...) e que somos muito maiores que a grande dose de mediocridade jogada na nossa cara de quando em quando.

Às pessoinhas queridas, não digo mais nada. Apenas faço uso da provocação proposta por Alexandre Matias no ótimo e-zine trabalho sujo. Vai aqui uma palhinha, mas não deixem de conferir tudo da fonte...

"Por isso, prepare-se para ser demitido. Assim, quando a verdade chegar para você em forma de um bilhete azul, você não vai se sentir um marido traído. Aceite os fatos, você está fora. E agora?

E agora a sua vida, seu merda. Afinal de contas, o que é isso que você chama de vida?"





Embalado pelo último post, não pude resistir a colocar aqui a letra do samba composto por Candeia e interpretado por Cartola. Vai também como homenagem à Dona Zica, viúva do bamba mangueirense falecida ontem.

Cartola, fundador da Mangueira, teve sambas gravados pelas grandes vozes brasileiras dos anos 30. Esquecido por muito tempo, dizem as lendas que foi reencontrado pelo produtor Sérgio Porto nos anos 50, trabalhando como lavador de carros. Gravou seu primeiro disco aos 65 anos de idade.

Uma breve biografia da Candeia também pode ser encontrada aqui. Trajetórias que fariam inveja a qualquer beatnik, assim como a letra abaixo...



Preciso me encontrar
(Candeia)

Deixe-me ir, preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar

quero assistir
ao sol nascer
ver as àguas
dos rios correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer,
quero viver

deixe-me ir preciso andar
vou por aí a procurar
rir pra não chorar

se alguém
por mim perguntar
diga que eu
só vou voltar
quando eu me encontrar

quero assistir
ao sol nascer
ver as águas
do rio correr
ouvir os pássaros cantar
eu quero nascer,
quero viver

deixe-me ir,
preciso andar
vou por aí a procurar
sorrir pra não chorar