terça-feira, agosto 09, 2005

Das profecias 2



Esta aqui é, com toda a certeza, a prova definitiva de poderes ultrasensoriais dignos de um Walter Mercado.

No começo deste ano, eu comentava com minha garota que os Los Hermanos lançariam até Julho um novo álbum. Até aí nada de mais, isso já era informação divulgada. Mas então me veio a luz, e proferi despretensiosamente meu comentário profético: "Acho que desta vez eles vêm com um disco sem metais".

Julho já estava no finzinho e pimba. Acertei, quem diria. Depois falo mais sobre o 4.

Devagar com o andor



Apesar de toda a decepção política, cautela não faz mal à ninguém. A lama é profunda, mas é preciso ficar atento a muita gente que tem embarcado na onda do quanto pior melhor (vide revista Veja). O moralismo, agora prazerosamente destilado por velhos carcamanos, só tem serventia para a luta política mais mesquinha.

O momento exigiria virtudes que, infelizmente, andam bem raras de se ver. Lucidez, por exemplo. Algo como a que exibiu Luis Nassif em seu último artigo na Folha de São Paulo (dica do Gravataí no Imprensa Marrom).


Profissionalização já!

A CPI dos Correios está perdendo o foco. Está invadindo vidas privadas, ameaçando, imputando crime antes do julgamento, cometendo erros banais de avaliação. Deputados confundem movimentação (conceito financeiro) com faturamento (conceito econômico), desconhecem o funcionamento de empresas (pretender que uma financeira saiba o valor do CPMF pago pela companhia é ignorância).

Desanimado com a falta de objetividade dos membros da CPI, o sábio recluso volta a escrever para manifestar sua preocupação com a ignorância de tantos.

Pode-se até supor que Marcos Valério tenha ido à Portugal Telecom propor negócios, mas jamais imaginar que a empresa toparia. Maior empresa privada de Portugal, listada na Bolsa de Nova York, portanto sujeita à legislação norte-americana de mercado de capitais e à Lei Sarbanes-Oxley, de 2002, é impossível supor que vá aceitar negócio com caixa dois.

Do mesmo modo, é ignorância supor que o IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) tenha sido sondado para depositar US$ 600 milhões no Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa. O IRB não tem US$ 600 milhões para depositar e, se tivesse, jamais poderia depositar em um só banco. Por outro lado, o Espírito Santo é um dos bancos mais tradicionais da Europa, peso-pesado no poder e nas finanças de Portugal e com penetração internacional, inclusive nos Estados Unidos. Só faltava se envolver com o PTB. (...)


Continua aqui.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Das profecias



Nestes momentos turbulentos, antes de dar qualquer opinião acho bom deixar algumas coisas claras. Votei no Lula em 2002. Não sou, nem nunca fui, militante ou partidário do PT, mas já votei muitas vezes em candidatos do partido. Celso Daniel, em Santo André. Hélio Bicudo e Suplicy para o Senado. José Genoíno e José Dirceu, vejam só. No entanto, nunca tive fidelidade ideológica (um conceito um tanto limitador, afinal).

Chegar até o voto em Lula, porém, não foi para mim um processo fácil. Já tive minha fase PSDB, já fui admirador do Mário Covas e do Montoro. Em 94, fui de FHC. Em 98, já decepcionado com a promiscuidade governista tucana, optei pelo Ciro Gomes. Só em 2002, finalmente, tive a coragem de votar no Sr. Luiz Ignácio da Silva. Pareço ter feito o caminho contrário da maioria - quanto mais velho, mais progressista. Ou talvez, muito mais provavelmente, foi o PT que em 2002 já não oferecia mais tanto terror ao meu progressismo de boutique.

Tudo isso para contar uma coisa. Pouco antes das últimas eleições para presidente, eu discutia com meu pai, um daqueles conservadores pragmáticos que ainda defendem o Maluf, sobre os possíveis prós e contras do já então bastante provável governo do PT. O medo aos vermelhos, àquela altura, já estava bastante dilúído, até mesmo na cabeça do meu velho. Nossa discussão baseava-se em outro ponto - o que, afinal, aquela mudança poderia trazer de melhor para o país.

Depois de muitos minutos de idealismo hesitante, tasquei a cartada final: "No pior dos mundos, mudam-se os ladrões. Isso não deixa de ser distribuição de renda".

Aquela profecia revelou-se acertada pela metade. Alguns dos ladrões, enfim, ainda continuam os mesmos.

segunda-feira, agosto 01, 2005

Determinação



Segunda-feira. Juro que ia começar um regime hoje. Mas uma colega aqui acabou de voltar da Argentina e trouxe alfajores. Enfim.

domingo, julho 24, 2005

Tirando o Pó



Com paciência, vou espanando a poeira. Aproveitei para responder aí embaixo ao pessoal que deixou comentários lá no último texto sobre Londres. Vejam só, além de me mimar com sua presença, amigos, vocês ainda me servem de pauta. Obrigadinho.

Resposta à Gi

A mui nobre senhorita quelquechose me alertou para o Curitiba Pop-Rock Festival. Até que enfim, Gi, no meio do festival de desgraceiras que tem sido o noticiário das últimas semanas, alguma coisa surge para afagar essa alma sofrida. O Weezer na Pedreira Leminski tem tudo para ser digno de boas lembranças. Méritos à produção do CRF, que conseguiu manter o nível e continuar sua antologia indie neste ano. Depois dos Pixies ano passado e Weezer em setembro próximo, o que o povo do All Star preto pode esperar para o ano que vem?

Mas confesso que meu coração está abalado mesmo é com o Wilco em novembro. Se não confirmarem nada para São Paulo, novamente terei o prazer de visitar o MAM na cidade maravilhosa. Por mais que o bolso doa, algo em mim torce para que eu seja mesmo obrigado a ir ao Rio novamente. Só fico com medo do TIM Lab ser pequeno demais para os fiéis de Jeff Tweedy espalhados pelo país.

E ainda tem Strokes, não dá para esquecer.


Resposta ao Rodrigo e ao Digones

Meus caros, esse texto do Garton Ash traz mesmo uma lucidez bem rara nestes momentos. Sinceramente, não tenho muito mais a dizer sobre os atentados – minha opinião está bem próxima do que ele disse ali.

Infelizmente, acredito que as novas explosões desta semana, por mais que não tenham deixado vítimas, tornaram as perspectivas um pouco mais sinistras. Afinal, não é pelo fato dos atentados estarem seguidamente fazendo menos mortos que eles tenham se tornado menos eficientes. Uma constância de pequenos atentados, mesmo sem vítimas, pode ser muito mais danoso à psicologia de uma população que um grande evento trágico isolado. Ainda tanto pior se esses pequenos sustos ocorrerem exatamente na seqüência do tal grande evento trágico. Condicionamento psicológico à favor do terror, quebrando até mesmo o louvável estoicismo britânico, vide o fortuito assassinato do emigrante brasileiro. Manter a sobriedade passa a ser difícil até para os ingleses.


Resposta ao Ludovico

Engraçado você falar no Wodehouse, Ludovico. Acabei de ler, há poucos dias, duas estórias curtas dele, “The Impending Doom” e “Song of the Songs”. Foram minhas primeiras, e me deram vontade de ler muito mais. Biscoito fino, Jeeves rules.

Aliás, falando em pocket-books, me permita uma estorinha. Por conta do meu curso de Espanhol, tenho ido à Av. Paulista pelo menos duas vezes por semana. Procuro sempre usar o metrô porque, afinal, estacionamento por ali é coisa ultra-valorizada. Acontece que o tempo às vezes aperta e me obriga a ir de carro mesmo. Para essas ocasiões, consegui arranjar um esquema interessante: deixo comodamente o carro no Conjunto Nacional e, depois da aula, compro um pocket-book dos mais baratos na Livraria Cultura. Acabo pagando uns 8 reais no livro e ganho o direito de só pagar mais 3 pelo estacionamento. Deixar o carro, em qualquer outro lugar, não sairia por menos de 8 reais. Sim, claro, no final das contas gastei onze ao invés de oito. Mas levo o livrinho para casa, oras.

Tão gostosa é a sensação questionável de comprar um pocket por 3 reais, que preciso me segurar para não começar a abandonar o metrô de propósito. Minha casa se encheria de livrinhos, mas aos poucos minha carteira ficaria bem mais leve. Ao final, uma dica: os pocket-books da Penguim, mesmo importados, conseguem ser mais baratos que os da LP&M e Martin Claret (custam R$ 7,75 enquanto os brasileiros podem custar oito, doze ou até vinte quatro reais). Quando se pensa que o preço de capa da Penguim é de uma libra e meia, vê-se que isso sim é política de incentivo à leitura. Para quem quer treinar o inglês, a opção é excelente.


Reposta à Patty

Patty (Patrícia?), legal você ter gostado do Diário. Volta-e-meia me perguntam por que não escrevi até o fim das andanças até Machu Picchu. Na época creio que foi por preguiça. Hoje não sei se conseguiria recuperar o clima da viagem. Mas enfim, quem sabe ainda tento.

sábado, julho 09, 2005

Londres



Quando as bombas atingiram minha cidade natal, eu estava dormindo na Califórnia. Ao acordar, vi os feridos surgindo daquelas familiares estações de metrô londrinas e os destroços do ônibus da linha 30, tudo mediado pela televisão americana. Um comentarista americano disse: "Isso mostra que vivemos em um mundo em guerra." E todas as fibras do meu corpo responderam: não, essa não é a lição de Londres.

Londres sabe bem com o que se parece uma guerra. Lembra-se da 2a Guerra Mundial em cada detalhe, de uma forma que Nova York não poderia. Apesar de essas explosões terem produzido o maior número de mortes na cidade desde 1945, essa não é uma guerra, como os comentaristas americanos gostam de imaginar. Guerras são vencidas por Exércitos. Exércitos sustentados por sociedades, economias e inteligências fortes, com certeza; mas ainda assim, Exércitos. Isso nunca será uma guerra.

Isso é outra história. (...)

Vai haver mais disso. (...) Em certa medida, teremos que aprender a viver com isso, como vivemos com outras ameaças crônicas. É nisso que Londres mais impressiona. Os chefes de polícia já tinham alertado que a questão não era "se, mas quando" um ataque terrorista aconteceria. (...)

A fleuma, a sobriedade e a determinação com que os londrinos enfrentaram os ataques de quinta-feira refletem uma longa experiência, principalmente de 30 anos de ataques do IRA, assim como o temperamento nacional. Conviver com isso, como fazem os londrinos, é a melhor resposta que as pessoas comuns podem dar aos terroristas. Devo dizer que eles fizeram com que eu tivesse mais orgulho da minha cidade natal do que o sucesso da candidatura de Londres para ser a sede da Olimpíada de 2012, anunciada no dia anterior.

Quanta liberdade estamos dispostos a sacrificar em nome da segurança? Há um perigo real de que países como os Estados Unidos e o Reino Unido se direcionem para um Estado de segurança nacional, com mais perdas de liberdades civis. Isso não poder ser - porque vai custar-nos liberdade sem trazer qualquer garantia de segurança. Eu, por mim, preferiria continuar mais livre, e correria um risco marginalmente maior de ser explodido por uma bomba terrorista.

Isso não significa ser passivo ante essas atrocidades. Mas a resposta adequada não está, como os comentaristas da Fox News americana querem que acreditemos, em maior poderio militar para acabar com "o inimigo" no Iraque ou em qualquer lugar. Está em policiamento adequado e polícia inteligente. Recusando silenciosamente a metáfora da guerra, a Polícia Metropolitana da Londres descreveu os locais dos ataques ao metrô e ao ônibus como "cenas do crime". Isso mesmo. Crimes.

Trabalhando na cidade mais etnicamente diversa do mundo, eles desenvolveram pacientes técnicas de relações comunitárias e reunião de informações, assim como de investigação depois do evento. Isso não vai impedir os ataques. Não impediu esse. Mas policiamento adequado internamente, não o envio de soldados ao exterior, é a forma de reduzir a ameaça de terroristas que operam (...).

Depois, há a política de inteligência. Estava certo tirar a Al Qaeda do Afeganistão pela força das armas. Em contraste, está cada vez mais claro que a invasão do Iraque foi um erro, que quase certamente criou mais terroristas do que eliminou. Mas agora precisamos dar o nosso melhor em um péssimo trabalho. A última coisa que devemos fazer em resposta a esse ataque é sair do Iraque. Ao contrário, agora é hora de todas as democracias se unirem em torno da causa de reconstruir um Iraque pacífico e a meio caminho de ser libertado, enquanto insistem em novas mudanças na política de ocupação por parte dos soberanos Estados Unidos, não mais tomados pela febre conservadora de três anos atrás.

Um acordo de paz entre Israel e palestinos removeria outro grande sargento recrutador de terroristas islâmicos. E, é claro, trabalhar na direção da modernização, liberalização e democratização do Oriente Médio é a única estratégia de longo prazo que certamente vai drenar o pântano no qual os mosquitos terroristas são criados.

Aqui, é a Europa, mais do que os Estados Unidos, que precisa acordar, urgentemente, para o imperativo de fazer mais. Nestes dias, coisas que acontecem longe daqui, em Cartum e Kandahar, têm impacto direto sobre nós - às vezes fatal, enquanto vamos para o trabalho sentados num trem de metrô entre King's Cross e Russel Square. Não existe mais essa coisa de política externa. Essa é, talvez, a mais profunda das lições de Londres.


Timothy Garton Ash, historiador britânico e diretor do Centro de Estudos Europeus.

domingo, junho 26, 2005

O Vermelho e o Negro



Só um tolo, pensou, encoleriza-se contra os outros: uma pedra cai porque é pesada. Serei sempre criança? Até quando terei o hábito de dar minha alma para essa gente, e justamente por seu dinheiro? Se quero ser estimado por eles e por mim mesmo, preciso mostrar-lhes que minha pobreza está em comércio com a riqueza deles, mas que meu coração está a mil léguas de sua insolência, situado numa esfera muito elevada para ser atingido por seus pequenos gestos de desdém ou de favor.


Stendhal, pela boca do espírito inquieto e orgulhoso de Julien. Rapazinho ambicioso esse. Mas sempre hesitante, sempre.

terça-feira, junho 21, 2005

Bolívia



É muito fácil, portanto, como fizeram durante esta semana o agora ex-presidente Sanchez de Lozada, a OEA e os EUA, alardear que a revolta popular em curso na Bolívia "põe em perigo a ordem constitucional" e é "uma conspiração para substituir a democracia por uma ditadura sindical". É muito fácil acusar que os líderes camponeses e indígenas Evo Morales e Felipe Quíspe são responsáveis por um "projeto subversivo" para instaurar uma ditadura.


Tudo muito parecido aos acontecimentos deste último mês, lá pelos idos dias de setembro de 2003 uma outra onda de protestos corria então a Bolívia. Daquela vez, consolidou-se o jornalista Carlos Mesa no poder. Desta, menos de dois anos depois, Carlos Mesa já caiu e o futuro ainda está em aberto.

Naquela oportunidade, publiquei um texto sobre a crise na Nova-e e no Imprensa Marrom. Como, quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam as mesmas, segue o link para a coluna, se alguém estiver interessado. Se a situação mudou, foi muito pouco. Minhas opiniões continuam as mesmas.

segunda-feira, junho 20, 2005

Poesia numa hora dessas?*



Leveza e peso

Onde foi parar a poesia?
Pergunto, e já ouço a resposta
que vai, claro, me soar como troça.
Bendita a troça que me protege.
Ai de nós sem a ironia.

Mas perguntar ofende?
Sempre, inevitavelmente.
As respostas serão ridículas
sempre, oras. Sobretudo
as minhas próprias.

O medo das respostas
me escancara, sem fuga, o prazer
que tiro do preguiçoso conforto.
Me cospe no rosto, envergonhado,
a infâmia da apatia.

Mas não só.
Diga a verdade, oras!
Vá até o fim agora,
e assuma que
o medo da resposta
me escancara, sem fuga
me cospe na cara, suja,
a vergonha
da covardia.

Ai de nós sem a ironia.


* Expressão emprestada do L.F. Veríssimo.

quarta-feira, junho 15, 2005

A Aula de Governo do Sr. Roberto



Infelizmente não pude assistir pela TV ao depoimento do Deputado Roberto Jefferson, transmitido anteontem, como se dizia no meu tempo, ao vivo e a cores para todo o Brasil.

Li tudo nos jornais de hoje, mas o mais importante foi colher as impressões mais tarde, na mesa de jantar. Minha mãe ficou encantada com o sujeito. Depoimento dela: "Pode ser um canalha, mas meu Deus, que lábia, que talento, que articulação". Mamãe admirou também sua energia: "Falou mais de hora e meia, sem papel nenhum, citando nomes, datas e horários. E depois ainda esculhambou todos que faziam perguntas". E disse mais: "Aquele deputado presidente do PL, que tem banca de galã, suava em bicas, enquanto o Jefferson estava na maior tranquilidade...". É, mãe, não se fazem mais políticos como antigamente.

O surto do Sr. Roberto tem rendido frases memoráveis. "Vossa Excelência, me desculpe, mas o senhor recebia e repassava mensalão sim" é sensacional. O depoimento na Comissão de Ética foi praticamente uma aula magna, escancaradamente didática, de como funciona e sempre funcionou o sistema político, as eleições, os partidos, o governo e tudo mais neste país.

Neste ponto, ainda há o que agradecer ao PT. A impressão que se tem é que o Partido dos Trabalhadores ainda é um novato, um junior, um freshman no poder e, como tal, não teve a habilidade necessária para manter a esquemática sobre o devido e discreto controle. Lambuzou-se, afobou-se, atrapalhou-se e, então, o excremento de sempre acabou ficando bem de frente para o ventilador.

Lula, ao seu estilo, já prometeu: "não vai sobrar pedra sobre pedra". Se é para ficar no bordão, o clima aparenta estar mais adequado para o "salve-se quem puder".

Melinda & Melinda



Concordo com o Marcelo Costa. Woody Allen fez seu melhor filme em 5 anos. E isso não é pouca coisa quando se atende pelo nome de Woody Allen e se produz pontualmente sempre um longa por ano. Eu iria ainda mais além que o Marcelo, diria que é o melhor filme dele desde Celebridade, pois este tinha Winona e Charlize e aí também já é covardia. Mesmo que Melinda seja interpretada pela loirinha Rhanda Mitchel, com muito charme e talento, e que o filme ainda conte com a bela Amanda Peet, aquela que já foi a Jack, do Jack & Jill.

Para além das mulheres, os pontos positivos de Melinda & Melinda são aquelas qualidades já conhecidas dos filmes de Woody Allen – personagens tão esquisitos quanto verossímeis, charlando em intermináveis diálogos inteligentes, mas sempre muito honestos, vivendo uma história simples, mas sempre algo amalucada. Desta vez, o argumento de Allen é manjadíssimo demais – a vida é cheia de tragédia e comédia, tudo depende de como você a encara. Mas, apesar da aparente obviedade, a receita está tão bem equilibrada que é impossível não sair do cinema com um sorriso mezzo irônico mezzo bobo no rosto.

O próprio filme acaba confirmando a sua tese manjada - na vida, não só há tragédia e comédia, como elas frequentemente se confundem. A história de Melinda que propõe-se trágica, é cheia de momentos patetas e hilários. Do outro lado, a metade cômica do filme está repleta de dolorosos fracassos e paixões avassaladoras. Confesso que gostei mais da metade-dita-comédia, principalmente pelo Will Farell. Não conhecia muito o sujeito (era ele o Fartman??), mas foi aprovado com louvor no papel de alter-ego do chefe Woody.

Enfim, é tudo como os velhos gregos já diziam, e continuamos enfiados nessa grande roda tragicômica. Não à toa percebo que os filmes mais sinceros sempre acabam levando o rótulo de comédia dramática. O resto é tudo variação.

segunda-feira, junho 13, 2005

Melhor Opinião sobre o Assunto



Esse prédio da Daslu parece um pavilhão de cadeia, acho meio sinistro.


Fernanda, ex-Miss Penitenciária, moradora da favela da rua Funchal, vizinha da nova casa da sra. Tranchesi.

(a reportagem do Estadão, infelizmente, requer senha. Ou paciência para cadastrar-se)

terça-feira, junho 07, 2005

Cem Escovadas






Lá no Scream&Yell, um texto meu sobre o diário sapeca-romântico da italianinha Melissa Panarello, "Cem Escovadas Antes de Ir para Cama".