sexta-feira, maio 13, 2005

Cinema



Lá no Scream&Yell, um texto meu sobre "Cruzada", o épico politicamente correto de Riddley Scott.

Assunto para todos



Galerinha adora falar mal da futilidade, mas esse negócio de mundo das celebridades cumpre uma importante função social.

Parelho ao futebol, mas mais do que qualquer outro assunto, funciona como unificador da pauta nacional. Essa separação do Ronaldo e da Daniela por exemplo. É assunto para conversar com o porteiro, mas também serve para você puxar papo com aquela amiga bonitona do mestrado.

A respeito da separação, aliás, estou ainda em cima do muro. Minha opinião muda, como diriam as celebridades, 360 graus, dependendo do fato de haver ou não a tal multa recisória de R$ 15 milhões de reais. Se realmente a multa não existe, então confirma-se Daniela como a chiliquenta mais pateta que existe. Nenhuma visão de futuro. Que fique então mandando os sapos se beijarem na MTV tupiniquim.

Agora se o acordo existe mesmo, meu amigo, ela merece o prêmio da espertona mais maquiavélica. E, como disse o Marcelo Trasel, R$ 7 mil por hora faz da moça a acompanhante mais cara do mundo.

Dedução Artificial



Isto aqui é formidável. Com 20 perguntas, o robô esperto descobre o que você está pensando.

via Pedro Dória

quinta-feira, maio 12, 2005

Cruzada



Veja este filme, leia esta entrevista e este texto.

E descubra então como não é tão fantasiosa a hipótese de um jornalista ter dormido durante a exibição do filme que tem o objetivo de resenhar.

quarta-feira, maio 11, 2005

Futibas



A imprensa esportiva brasileira pode reclamar o quanto quiser, mas tem nas mãos o futebol que merece.

Toda essa quizumba corintiana serviu para derrubar algumas últimas máscaras. A fachada de bom-senso resistiu pouco ao evidente bairrismo, soberba e limitação argumentativa da maioria dos comentaristas esportivos. Afinal, o que fazer após duas derrotas venais do time alvi-negro? É claro, pedir a cabeça do técnico. Principalmente se ele for argentino. Afinal “ele não conhece o futebol brasileiro” e dois meses de trabalho atestaram definitivamente sua incompetência.

Para aumentar o ridículo, se viu claramente que os mais exaltados na malhação do Judas eram aqueles jornalistas já auto-proclamados corintianos. Coisas da paixão. Mas poucos saíram ilesos da crucificação de Passarela.

As exceções são as de sempre – o Juca Kfouri, o Tostão e o Neto. A serenidade do primeiro, entretanto, explica-se: seu alvo pessoal é outro, o iraniano Kia. E Juca me irrita um pouco por sua panca de bom-mocismo.

Resumo da ópera – a) Kirchner tem razão em reclamar do umbiguismo brazuca; b) o melhor de nosso jornalismo esportivo resume-se a dois boleiros matutos.

quarta-feira, maio 04, 2005

Meme



Sei que o Código da Vinci já é assunto velho, mas vira-e-mexe ainda me impressiono com o fenômeno.

Desde o começo do ano, tenho pegado o metrô pelo menos 2 vezes por semana. E posso jurar que em praticamente todas as viagens sempre encontro a Gioconda estampando aquele grande tijolo vermelho .

Invariavelmente, são sempre garotas que carregam o livro. As pistas ainda estão se encaixando. Mas suspeito que exista algo obscuro entre Dan Brown, Leonardo da Vinci e a chave de entrada da intrincada psique feminina.

segunda-feira, maio 02, 2005

Um pouco de ficção



Na falta de novidades, eis um pequeno conto escrito lá atrás, no já longínquo ano de 2004.



JEREMIAS

Jeremias escutava a canção do Chico e tinha devaneios. Pensava que ela poderia ter sido feita para ele, o pretensioso, considerando alguns pequenos ajustes, é claro. Olhe que Jeremias não era nada dado a vaidades, como já veremos adiante, muito menos costumava ter fantasias tão megalomaníacas.

O sujeito era simplório, isso logo se via. Parecia procurar esconder seu rosto entre os ombros, enterrando a cabeça no corpo franzino, coisa que já havia lhe gerado problemas na rua – alguns meninos um dia lhe chamaram de corcunda e ele foi obrigado a conter seus ímpetos. Depois de mais alguns olhares, percebia-se que não era propriamente feio. Poucos, porém, dispunham-se a investir todo esse tempo. E se pode dizer isso sem nenhuma pena, pois Jeremias fazia muito pouco para mudar essa situação. É como se gostasse que, numa contagem exageradamente otimista, digamos umas dez pessoas fossem capazes de lembrar seu nome sem titubear, deixando de fora deste número, logicamente, aqueles que baixavam os olhos para ler as letras pequenas do seu crachá.

Nada disso impedia que Jeremias ouvisse a canção do Chico e pensasse que ela tinha sido feita para ele. Ao contrário do que se pode imaginar, porém, essa idéia não tinha se criado assim, de uma hora para outra. Levara tempo e esforço. Para se transformar em conclusão, a mera suspeita de Jeremias dera tantas voltas pelos caminhos embaralhados do seu raciocínio que valeria pouco a pena procurar perseguir essa trilha, muito menos tentar descrevê-la.

Naquele momento, se alguém gastasse algum tempo mirando seu rosto perceberia logo que suas divagações não lhe eram nada prazerosas, muito menos espontâneas. Podia notar-se que seus pensamentos iam longe, que olhava a janela do micro-ônibus com olhos perdidos, mas era como se ele fizesse um imenso esforço para alcançar pensamentos tão pouco práticos e tão vagamente desenhados. Sem galhofa, se olhássemos para Jeremias sentado no primeiro banco da fila da direita, com os olhos fixos na transparência do pára-brisa, só poderíamos concluir uma coisa – o sujeito fazia ali um esforço do cão para se perder em pensamentos. Seus olhos apertados, sua testa enrugada, seus ombros tensos, tudo dizia que, mesmo sonhando alto, ele quase sofria.

Como a maioria das coisas da vida, todo esse sofrimento poderia ter sido evitado, não fosse uma ação alheia jogar o seu destino por aquele caminho. Jeremias poderia estar fazendo o que costuma, e gosta, fazer todo dia – tirar uma boa soneca antes de chegar ao escritório. Poderia não ter caido naqueles devaneios tão sofridos, poderia não estar metido em tanto esforço, poderia não investir na inutilidade uma energia que depois poderia lhe fazer falta. Afinal eram ainda sete horas da manhã. Poderia isso, poderia aquilo, mas sabe-se bem que a vida não é feita do que poderia. Jeremias poderia uma série de coisas, mas o imprudente motorista do micro-ônibus lhe fez o favor de mudar a estação do rádio, o que logo depois lhe colocou nos ouvidos a canção do Chico.

Já vimos que Jeremias não era vaidoso. Seu devaneio, enveredado pelos tais caminhos embaralhados da sua mente, lhe levara a concluir que a música havia sido feita para ele, e não sobre ele. Sua vida não encheria quatro estrofes, pensou com a inesperada coerência e a tipica modéstia de um Jeremias lúcido e corriqueiro. Descrevê-lo, com fidelidade, não exigiria mais que três versos. Era um sujeito simplório, como já dissemos.

A canção nunca poderia ter sido escrita sobre ele, ou ter sido inspirada nele, portanto. Sinceramente, isso pouco importa. O fato inóspito era que a música havia capturado a atenção de Jeremias tão impiedosamente, havia lhe retesado os músculos de forma tão aparente e lhe jogado num mundo de idéias doloridas nunca experimentadas, que Jeremias só podia ter a certeza que aquela música existia para ele. O devaneio pouco ligava se Chico conhecia Jeremias ou não, mas era óbvio que o compositor queria muito lhe dizer alguma coisa. E Jeremias escutava como nunca. Depois, mergulhou para dentro de si.

Jeremias percebeu que, todo dia, ele fazia tudo sempre igual. Mas ao mesmo tempo notou que não tinha ninguém para sacudi-lo às seis horas da manhã. Teve então um pensamento infame, e pensou que o único que lhe era fiel no despertar era seu rádio-relógio, último modelo. Ou que havia, sim, quem lhe sacudisse, mas este era só seu chefe, e não exatamente às seis horas da manhã, mas um pouco mais tarde. Tudo arriscou descambar para uma piada sem graça dentro dos caminhos embaralhados da mente de Jeremias, mas a música continuou e ele logo percebeu que aquilo não tinha a menor graça. E que estava, a seu modo, irremediavelmente preso àquele enredo.

Duro para Jeremias foi perceber que ficaria muito feliz se seu cotidiano fosse apenas monótono, pois ele até não gostava tanto de surpresas, mas que além de monótono, não havia nada nem ninguém que valesse mesmo a pena dentro da sua rotina. Sua testa se franziu ainda mais quando ele desejou com uma força que nunca pensou antes que pudesse desejar ter alguém com quem pudesse dividir o seu dia-a-dia medíocre, e pensou então na felicidade extrema de um beijo pontual. Talvez não pudesse ter alguém, e aí se contentaria se simplesmente tivesse algo que colorisse a sua rotina, algum interesse que lhe fugisse à obrigação. Mas não tinha.

Faz-se necessário dizer que, naquele dia, Jeremias não chegou ao escritório. Mandaram falar que era por motivo de força maior. Algumas pessoas que haviam estado com ele naqueles momentos chegaram a dizer que Jeremias, ao descer no ponto de ônibus usual, paralisou-se junto ao meio-fio. Ficou ali em pé, completamente estático, por vários minutos. A figura do homem não deve ter agradado muito aos passantes, pois vieram retirá-lo logo depois. Nunca mais se ouviu notícia dele, mas também não se pode dizer que isso tenha feito muita diferença.

sexta-feira, abril 29, 2005

Conversas do Planalto



Brasília, 20h50. Piantella. 202 Sul. Restaurante. Roda de amigos.

- A melhor frase de feminista que eu já ouvi na vida foi numa convenção lá no Itamaraty. Uma mulher pediu a palavra e falou: “Eu só vou acreditar em igualdade entre o homem e a mulher no dia em que nomearem pra um cargo importante uma mulher incompetente”.


O Nomínimo publicou três colunas com fragmentos de conversas colhidos pelos recantos da nossa capital. O garimpo é obra de João Moreira Salles e Raquel Zangrandi. Várias pérolas, vale conferir.

quinta-feira, abril 28, 2005

Poucos e disputados



A banda de brit-pop-dark-punk-rock-andrógino Placebo tocou ontem em São Paulo. Tenho certeza que iria me divertir bastante, mas não fui ao show. Há duas semanas tentei comprar ingressos na FNAC e bati com a cara na janelinha da bilheteria: lotação esgotada. Malditos indies, compraram tudo com antecipação monstro.

Isso faz refletir sobre a agenda minguada de shows internacionais no Brasil. Algo não bate nessa estória. Se uma banda de público sectário vem ao Brasil para fazer 8 apresentações e consegue esgotar bilheterias, percebe-se que o fato de não termos mais atrações por aqui não é um problema de público. Afinal, o que se vê é um público com demanda reprimida bancando os custos ainda altos dos ingressos dolarizados.

Alguma outra coisa deve comprometer. Falta de iniciativa, tomada de risco, profissionalização. Será que é só mesmo possível bancar estes eventos com o patrocínio de telefônicas ou cervejarias? O Curitiba Pop Festival, ano passado, pareceu mostrar que outras fórmulas são possíveis. Em junho próximo, teremos shows-solos do White Stripes, que volta com a segurança gerada pelo sucesso do show carioca de 2003. Mas eram necessários muito mais destes exemplos.

Fico só nas conjecturas. Gostaria mesmo era de ouvir uma experiência mais pragmática sobre isso. Promotores de eventos, pronunciem-se.

Mexendo com a massa



Durante esta última semana, vários comentaristas esportivos espalharam o receio de que Romário fosse vaiado pela cruel torcida paulista, justamente na noite de sua despedida do selecionado canarinho. Falavam do bairrismo, lembravam uma suposta rejeição ao peixe.

Quanta pataquada mediática, meu Deus. Mas ontem o Pacaembu deu sua resposta.

Como se sabe, o jogo era também parte das comemorações dos 40 anos da platinada Rede Globo de Televisão. O baixinho marrento foi devidamente ovacionado ao sair de campo. Minutos mais tarde, porém, a torcida não demonstrou nenhuma caridade. Ouvia-se claramente pela TV um canto melodioso:

GALVÃÃUN, *%IAADO!!

E depois, num ritmo mais marcado:

Ê, GALVÃO, VAI TOMAR NO #*!!

Mais tarde, ainda viria o melhor da noite:

ÉSSEE, BÊ-TÊ!!

Sensacional.

Nunca subestimem a horda paulista. Ela sabe escolher suas vítimas com precisão cirúrgica e leves toques de ironia.

quarta-feira, abril 27, 2005

Vai um jurozinho aí?



Quando ouvi esta ordem do nosso presidente, dei um sorriso de canto de boca e me orgulhei da minha pró-atividade. Já cumpri suas recomendações com bastante antecedência, meu capitão.

Mês passado, eu estava afundado no cheque-especial. Levantei my fat ass do sofá, liguei para um amigo e ofereci um negócio bom-para-ambas-as-partes. Rapaz bem sucedido, ele tinha disponível o capital que me era necessário. Eu, de minha parte, lhe oferecia um jurinhos bem maior do que ele conseguiria numa aplicação segura, mas, ainda assim, muitíssimo menor do que eu seria obrigado a pagar se optasse pelo crédito de qualquer instituição do sistema bancário formal. Simples assim.

Era a esse tipo de iniciativa que Lula se referia, não?

Se eu entendi bem, nosso presidente deve ter mesmo se rendido ao liberalismo econômico mais radical. Prega agora que tudo isso que está aí - instituições, bancos, regras, governo, políticas - só serve para atrapalhar. Porque somente fugindo a tudo isso, dando um jeitinho, partindo para o cada-um-por-si e informalizando-se de vez, é que se torna possível escapar aos preços abusivos do nosso cartelizado sistema financeiro nacional.

Diga não aos juros abusivos. Arranje um agiota gente-boa.

Ironias a parte, eu não tenho nada contra encontrar caminhos que passem ao largo do sistema. Muito pelo contrário. Mas o commander-in-chief do sistema não pode defender esses caminhos, ora pois. A função dele é trabalhar para que as coisas funcionem melhor dentro do sistema. Reclamar, senhor presidente, é função nossa, tire a mão daí.

Vão dizer que o que Lula disse não passa de mais uma bravata de palanque. Isso é claro. É óbvio também que ele segue uma já manjada estratégia de comunicação pós-moderna que, a fim de preservar sua imagem pública, coloca-o a parte de qualquer ato duro-mas-necessário imposto pelo governo. Lula reclama dos juros altos, como se o Banco Central já possuísse autonomia e ele não tivesse mais nada a ver com isso.

Para sobreviver no poder, é claro que é preciso ser liso. No entanto, como eleitor do homem, confesso que já ando bastante cansado desta tática. FH já praticava o mesmo feitiço, mas Lula tem exagerado na dose. Ao invés de alguém que insiste em se descolar da realidade, criando versões e alternativas fantasiosas, eu preferiria um presidente que assumisse os atos do seu governo e se esforçasse para explicar a necessidade dos xaropes amargos. Mas isso sim parece fantasia.

segunda-feira, abril 25, 2005

Às vezes sempre



A música que postei abaixo, Sometimes Always, foi gravada pelo The Jesus and Mary Chain em 1994, num álbum chamado Stoned & Dethroned. Foi uma das últimas canções da carreira do grupo e suponho que, naquela altura, não deva ter agradado muito aos admiradores mais antigos da banda.

Sem microfonias ou distorções, Sometimes Always é apenas uma balada. Uma linda canção na qual Jim Reed suplica para que Hope Sandoval, sua cara-metade nos vocais, o receba novamente. Enfim, são raros os duetos românticos que não se transformam em pieguices constrangedoras. Não julgo se este salvou-se desta sina. Só sei que se tornou uma das minhas canções prediletas.

Assim como se vê nesta canção, as voltas nem sempre trazem explicações. Mas não se enganem. Sempre existe um motivo. Os porquês, no entanto, nem sempre são confessáveis ou, até mesmo, nem sempre são claros o suficiente para serem expressados.

Eu, que já declarei o fim inevitável deste bloguito, decidi agora pelo seu inevitável recomeço. Depois de mais de um ano, as mudanças por aqui se resumem ao template. Afinal, alguma coisa precisava mudar. Também havia pensado em me forçar alguma direção, me tornar mais focado e objetivo. Desisti. Porque sei que, de quando em quando, vou querer despejar por aqui divagações sem sentido e desabafos cifrados. Não tenho escapatória. Deixo então as regras para meu emprego das 8 às 17 e, aqui, vai ser escrever por escrever mesmo. E vamos nessa mais uma vez. Let’s fail better, ora pois.

I’ve been away and now I’m back, disse Jim Reed. Às vezes é simples assim. Ou, talvez, é melhor que seja simples assim.

Sometimes Always


I gave you all I had
I gave you good and bad
I gave but you just threw it back

I won't get on my knees
Don't make me do that please
I've been away but now I'm back

Don't be too sure of that
What makes you sure of that
You went away you can't come back

I walked away from you
I hurt you through and through
Aw honey give me one more chance

Aw you're a lucky son
Lucky son of a gun
You went away, you went away
You went away but now youre back

I got down on my knees
And then I begged you please
I always knew you'd take me back


De volta, mais uma vez. Com a ajuda da Corrente de Jesus e Maria.

sábado, abril 16, 2005



Antes de recomeçar a escrevinhar, quero quebrar um pouco a cabeça pra mudar o velho template. Reinício merece cara nova.

É um saco, cansativo deveras, mas acho que já estava com saudade de fuçar nesses códigos malucos de HTML. É claro que esqueci tudo do pouquíssimo que tinha aprendido antes. Agora é descobrir de novo, na tentativa e erro mesmo. Mas vamos lá, esperança, talvez valha a pena.

quarta-feira, março 30, 2005



Bom, então, que tal voltar com isso aqui, hein?

É isso aí. Vamos recomeçar a verborragia.