terça-feira, novembro 13, 2012

Minha Estratégia Secreta® para evitar encrencas com e-mails

Tradução do texto de James Fallows publicado no site da revista The Atlantic


Criei um plano à-prova-de-idiotas capaz de garantir que qualquer pessoa possa evitar sofrer o tipo de desastre que se abateu sobre o General David Petraeus, sua biógrafa Paula Broadwell e sua troca de e-mails.

Trata-se de um plano tão perfeito e eficiente que não exige de você nenhum ajuste de comportamento, de nível de fidelidade conjugal, ou qualquer coisa do tipo. Meu plano reconhece que, desde as mais remotas eras, as pessoas se comportam mais ou menos da mesma maneira, e vão sempre se comportar assim.

Para usufruir da minha Estratégia Secreta® basta que você me envie um cheque no valor de US$ 99.95 , aos cuidados do escritório da revista The Atlantic. Ou melhor, vá lá, na internet tudo é de graça mesmo, siga lendo este texto e aproveite meus conselhos.

Meu plano é o seguinte:

Nunca coloque numa mensagem de e-mail, seja para quem for enviá-la, nada que possa lhe causar problemas se a mensagem cair em mãos erradas.

Este é o plano. Está tudo aí. Simplesmente respeite esta regra. Sempre.

Eu nem me refiro às dificuldades menores do dia-a-dia que podem surgir quando algumas de nossas informações pessoais são reveladas: números de Cartão de Crédito, informações financeiras, problemas que estamos tendo para controlar o peso ou alguma outra questão de saúde, confissões constrangedoras que fazemos aos amigos.

Eu me refiro às coisas que podem realmente causar problemas. Críticas pesadas às pessoas com quem você trabalha – ou, pior, à pessoa para quem você trabalha. Fofocas e intrigas sobre pessoas que pensam que somos amigos. Qualquer indício sobre qualquer comportamento que possa criar problema se exposto – por exemplo, a hipótese de você estar tendo um caso extra-conjugal e preferir que sua mulher e seus colegas de trabalho não sejam informados sobre o assunto.

Correspondência desviada, ou que simplesmente caiu em mãos erradas, sempre foi uma fonte de tristeza e sofrimento desde os tempos pré-computador. Por exemplo: a tragédia narrada no grande romance de Ian McEwan, “Reparação”, ocorre em razão de um acontecimento desses.

Mesmo assim, o e-mail tornou tudo ainda diferente:
  • E-mails podem facilmente ser re-enviados, podendo chegar a lugares não desejados inicialmente.
  • E-mails podem facilmente ser enviados para destinatários errados, seja através do clássico “Reply to All” seja pelo sistema de Auto-Complete que sugere os endereços de e-mail
  • E-mails podem facilmente ser arquivados.
  • E, talvez o mais importante, e-mails podem facilmente ser encontrados. Você gastaria dias pesquisando um armário cheio de cartas velhas, mas consegue achar coisas saborosas numa pasta de e-mails em apenas alguns segundos.

Cuidadosamente, costumo sempre checar três vezes os campos “To:” e “Cc:” antes de enviar qualquer mensagem. Também ativei um dispositivo no Gmail que se chama “ooops”, que te dá alguns segundos para desenviar uma mensagem que você tenha enviado por engano.

Além disso, antes de colocar qualquer coisa em um e-mail, pergunto para mim mesmo: o que aconteceria se a pessoa que eu menos desejasse que lesse esta mensagem conseguisse lê-la. No caso de qualquer crítica, opinião ou julgamento não passar neste teste, a melhor saída é optar pelo velho bate-papo, pessoalmente ou mesmo por telefone. Quem um dia imaginaria que o telefone, que pode obviamente ser grampeado ou interceptado, seria um dia visto como uma forma de comunicação “mais segura” ou “mais privativa” que uma troca de e-mails. Mas, de verdade, é assim que as coisas são.

Nunca coloque nada num e-mail que possa lhe causar problemas sérios se ele for compartilhado com outras pessoas. É isso. Vou ficar esperando pelos meus US$ 99,95.

Um comentário:

lilla disse...

Gente, eu sou mega neurótica no envio de e-mails muito, muito pessoais.

Tirando a mania de mandar e-mails separados para cada pessoa mesmo que eu esteja falando sobre o mesmíssimo assunto. Vai que um sem noção resolve confraternizar com os demais, no temido "responder a todos", solta alguma graça, sei lá?

É, acho que sou meio neurótica, mesmo.