domingo, setembro 21, 2003



PSI

Ainda não há notícia de declaração de apoio do nosso mambembe ministro da cultura. Mesmo assim, gostaria de pedir sua adesão ao novo programa de estímulo a economia cultural tropical - o novo "Programa de Substituição de Importações".

Nada de fechar as fronteiras, porém. Sem ranços do passado. O PSI não tem nenhum intuito de tentar proteger as mentes brasileiras das influências nefastas da cultura anglo-saxônica. Afinal, adoramos influências nefastas. Antropofagicamente, no entanto, precisamos manter nosso apetite globalizado ao mesmo tempo que preservamos nossos bolsos tupiniquins.

A idéia é a seguinte - compartilhe produto estrangeiro, compre produto nacional.

Gravadoras e editoras multinacionais não vão sentir falta do seu suado e amassado dinheirinho. Elas já estão entediadas recebendo remessas de lucros de diversos lugares inóspitos. Seus precinhos também, estão assim, digamos, nada convidadativos. Sem culpa então se apenas divulgarmos sua cultura pelos já tradicionais métodos de escambo - empreste, troque, doe.

Do lado de cá do Equador, porém, aja diferente. Se você gosta daquela cantora do barzinho do seu bairro, se você foi a um show legal de uma banda independente, se o escritor que você lê na net lançou um livro por uma editora pequenininha, se acabou de sair uma revista direcionada ao seu (ao teu) clubinho de preferências, por favor, faça a sua parte. Compre o CD, pague o ingresso, vá atrás do livro, compre a revista. Reconheça o trabalho de quem merece e precisa.

Protecionismo cultural? Contrapartida social? Não, economia de sobrevivência. Afinal, você, cidadão com mais de 18 anos, também tem o dever de preservar as reservas cambiais brasileiras.


Nenhum comentário: