Mensagens furtivas. Idéias desconexas. Notícias ao léu. Opiniões duvidosas. Visões de Pasárgada
quarta-feira, novembro 12, 2003
quinta-feira, novembro 06, 2003
Olha só, galera carioca, atenção para o convite acima. Satisfação de ver estes dois amigos do mundão internético lançando seus livros juntinhos, principalmente quando a Editora ainda é fruto da iniciativa empreendedora de outra gentefinaça da net.
Parabéns sinceros, meus caros... Sei que esse lance de lançamento conjunto é na verdade uma estratégia para dividir a conta do vinho branco, mas a gente perdoa.
Ia desejar muita merda proceis, mas fiquei com medo que isso só se use em estréias teatrais. Então desejo só muito sucesso mesmo.
Para turma de Curitiba, acho que tem também lançamento do livro do Paulo hoje no Beto Batata. Mais informações aqui.
E para turma de Sampa (eu, por exemplo), o evento é dia 15, e, claro, podem me esperar por lá.
terça-feira, novembro 04, 2003
Por que essa pressa, afinal?
Pra onde tanto eu quero ir? Aonde tanto eu penso que tenho que chegar? Para que essa eterna sensação de tempo perdido, essa busca frenética por respostas, a vontade insana de entender o mundo, resolver as pendências, quitar todas dívidas, esquecer as mágoas, não depois, nem amanhã, nem na sábia cadeira de balanço da velhice, não, depois não, tem que ser agora. Por que essa gana de abraçar o mundo, de querer fazer tudo, de ir ao banco, jantar com a mãe, ir a duas festas e ainda se frustar, se xingar, se morder por ter perdido o maldito show da banda mais falada da última semana? Correr pra estar em três lugares numa só tarde, e acabar cansado demais pra prestar atenção em um só deles. Ridiculamente estúpido. Por que estar sempre se acusando de preguiça, se não falta esforço? Talvez falte energia, talvez falte foco, talvez falte paciência. Se é idiota não buscar o sonho, cobrar pra que ele me chegue amanhã é muito mais patético. Por que tem que ser amanhã? Por que sempre acordar e implorar por mais uma hora de sono, e, depois, à noitinha, não ter coragem de ir pra cama sem acessar a net? Essa maldita mania maleducada de chegar sempre atrasado que só pode ser medo de perder tempo esperando. Medo de perder tempo... como se pudesse guardá-lo. Nada mais imbecil que enervar-se em busca da tranquilidade, aniquilar-se na própria ânsia, nada mais insano que lutar contra esse grandesíssimo canalha que é o tempo, que não se pode vencê-lo, que só resta juntar-se a ele.
Pra que a pressa? Pelo ponto final? Ou é medo do ponto final? Ora, bolas, deixa isso pra depois...
segunda-feira, novembro 03, 2003
Chuva
Num desses dias gelados de pouco tempo atrás, ouvi alguém praguejar contra o frio dizendo que conhecia dezenas de canções escritas em homenagem ao verão, mas não conseguia se lembrar de nenhuma ode poética ao inverno.
Como também não sou muito fã das temperaturas baixas, não me esforcei em refutar a afirmação. Mas ontem, fechado num quarto de hotel, privado de me perder pelo Rio de Janeiro pela força de um baita temporal, me peguei pensando na chuva. Meu Deus, como se canta a chuva, não?
De Jorge Ben aos Paralamas, chove chuva sem parar. No entanto, com a licença dos defensores da cultura nacional, minha música predileta sobre a chuva, aquela que estava na minha cabeça bem naquele momento, não é uma canção brasileira. Não, ainda não sou tão óbvio - também não é Raindrops Keep Falling On My Head, muito colorida praquele ontem cinzento. Poderia até ser I'm Only Happy When It Rains, aquele hit energético do Garbage, ótima também, mas não - ela é um tanto sarcástica demais prum momento de contemplação, um estado de felicidade e melancolia em combinação perfeita.
Na sacada do apartamento, de frente para a névoa branca que era para ser o Pão de Açúcar, eu cantarolava Happy When It Rains, do Jesus & Mary Chain.
Não sou daqueles que já ouviam o JMC desde os anos 80. Minha onda, naquela altura, era ouvir a trilha do Plunct Plact Zum!. Mas a banda foi uma das melhores descobertas tardias que fiz nos últimos tempos. Daquelas de se arrepender por não ter tido um irmão mais velho para ter me empurrado doses de roquenrol mais precocemente. Mas, tudo ao seu tempo, antes tarde do que nunca.
Abusando de clichês dignos dos mais mequetrefes críticos musicais, essa canção é uma daquelas pérolas do pop perfeito. É sério. Deve haver uma dúzia dessas, em todo o planeta. Tão perfeita, que virou trilha de comercial de automóvel. Não tenho muita certeza, mas posso jurar que era ela numa das últimas campanhas da Chevrolet.
Agora, por favor, deixem todo esse clichê de lado, tirem todo o mercantilismo imperialista da jogada e, enfim, fiquem só com a música. Escutem, ouçam. Assim como a quase homônima música do Garbage, ela é uma daquelas canções vivas, vibrantes, ideais pra se ouvir na estrada. Se também ainda carrega um pouco da mesma índole sadomasoquista daquela outra, Happy When It Rains traz, sobretudo, aquilo que, caramba, deve ser a tal tão cantada poesia da chuva. Uma melancolia feliz, que lava a alma, sacode a poeira e pede pra seguir em frente.
Happy When It Rains
Step back and watch the sweet thing
breaking everything she sees
she can take my darkest feeling
tear it up till i'm on me knees
plug into her electric cool
where things bend and break
and shake to the rule
talking fast couldn't tell me something
i would shed my skin for you
talking fast on the edge of nothing
i would break my back for you
don't know why, don't know why
things vaporise and rise to the sky
and we tried so hard
and we looked so good
and we lived our lives in black
but something about you felt like pain
you were my sunny day rain
you were the clouds in the sky
you were the darkest sky
but your lips spoke gold and honey
that's why i'm happy when it rains
i'm happy when it pours
looking at me enjoying something
that feels like feels like pain
to my brain
and if i tell you something
you take me back to nothing
i'm on the edge of something
you take me back
and i'm happy when it rains
(Jesus & Mary Chain)
segunda-feira, outubro 20, 2003
Ainda Pacha Mama
O texto sobre a crise da Bolívia, que eu havia publicado primeiramente no Imprensa Marrom, saiu agora na Nova-e. Não deixe de ir lá conferir, a última edição ficou muito bonita mesmo.

sábado, outubro 18, 2003
Pacha Mama
Alguns povos indígenas do Peru e da Bolívia chamam assim a "Deusa Terra", ou melhor, a "Mãe Terra" - Pacha Mama. Ao contrário do que tradicionalmente crêem as populações nômades do deserto, cujas vidas se passam sob uma abóboda celestial única e esmagadora, esses povos da selva e da montanha não acreditam que são criação de um único Deus, que o homem está na Terra numa transitória expiação e que, depois da morte, o céu é finalmente seu destino glorioso. Sua crença é de que a vida teve origem de dentro da própria Terra. Simplificando, seu mito é de que um dia, há longínquos anos, uma enorme cratera se abriu no solo e os primeiros homens foram expelidos para a superfície. Foram cuspidos por Pacha Mama.
Pacha Mama é a fonte de toda a vida. É a provedora de alimento e de abrigo. Para eles, a Terra, a natureza, não é o lugar maldito e selvagem onde devem sobreviver os pecadores expulsos do Paraíso. Pertencemos à ela, somos parte dela, somos seus filhos.
(...)
As divagações sobre a Bolívia, a crise, o povo, o gás e a coca, continuam lá no Imprensa Marrom. Confira lá e não deixe de mandar sua opinião sobre tudo isso...
terça-feira, outubro 14, 2003
Armas, drogas e contradições
Que fique bem claro que sou contra qualquer pessoa portar uma arma de fogo. Acredito ser uma estupidez dizer que as pessoas de bem devem ter o direito de andar armadas para proteger-se contra a marginalidade – quem, afinal, vai definir quem são as pessoas de bem? Até onde uma “pessoa de bem” também não pode me fazer mal, intencionalmente ou não? Aliás, proteger-se como, cara pálida? Na base do bangue-bangue?
Penso isso assim, pragmaticamente, sem entrar em muitas filosofias. Nem quero começar com delongas sobre o Estado de Direito, contrato social, renúncia ao direito da força, etecéteras. Mas que fique bem claro minha posição – não consegue-se combater a violência colocando um revólver na mão de cada cidadão.
Chega então a hora da tradicional virada no enredo da crônica. O famoso por outro lado. Lá vai então: por outro lado, pensava eu com meus botões o quão pode ser contraditória a argumentação dos grupos mais progressistas da nossa sociedade, ao tentar defender seu ponto de vista frente a esta e a outras polêmicas em voga nos últimos tempos. (...)
Tarda mas não falha... Leia a coluna todinha lá no Imprensa Marrom. Era pra sair na sexta, mas chegou só hoje. Na próxima sexta tem mais...
quarta-feira, outubro 08, 2003
terça-feira, outubro 07, 2003
Recado do Bardo
Depois da poesia mequetrefe do post abaixo, me sinto na obrigação de postar aqui algo que realmente valha a pena. Melhor então contar com uma singela ajuda alheia.
Antes, porém, um breve contexto: Lucêncio, filho de um rico mercador de Pisa, parte para a cidade de Pádua a procura de novos mundos, ansioso por mergulhar no estudo das artes e da filosofia, adornando assim a fortuna de seu pai com as ações virtuosas dos sábios. Pergunta então a Trânio, seu pajem, se faz bem em prosseguir nessa jornada. E lá vai Trânio, na tradução do Millôr Fernandes:
Trânio: "Mi perdonato", meu gentil senhor, pois concordo nisso tudo, contente que persista no intento de aspirar as doçuras da doce filosofia. Apenas, meu bom amo, por mais que admiremos essa virtude, essa disciplina moral, rogo-lhe não nos tornemos estóicos e insensíveis. Nem tão devotos da ética de Aristóteles a ponto de achar Ovídio desprezível. Apóie a lógica nos seus conhecimentos do mundo e pratique a retórica na conversa usual; inspire-se na música e na poesia e não tome da matemática e da metafísica mais do que o estômago pode suportar; o que não dá prazer não dá proveito. Em resumo, senhor, estude apenas o que lhe agradar.
segunda-feira, outubro 06, 2003
sexta-feira, outubro 03, 2003
Transgênicos - Pelo menos uma obviedade
A imprensa tem tratado o assunto dos transgênicos quase que exclusivamente pelo glamoroso prisma do embate científico. A mitológica luta entre o medo do futuro e a inevitável marcha do progresso tem, sem dúvida, um apelo e tanto aos nossos genes em luta pela sobrevivência. Tudo fica então resumido a lavradores conservadores, consumidores temerários e cientistas visionários (ou malucos).
Por esta perspectiva, é simplesmente irracional ser contra os transgênicos. Mexer em território proibido, alterar a ordem da natureza – argumentos como esses ora remetem a um saudosismo bucólico e pastoral, ora se assemelham à superstições apocalípticas vindas de um monastério beneditino da Idade das Trevas. Toda a história do homem foi marcada pelas intervenções deste junto à natureza e se opôr a isso, categoricamente, é ingênuo e inútil.
(vamos lá, leia o texto todinho lá no Imprensa Marrom...)
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